quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Disfarçando


Enquanto as palavras não me chegam, um trecho do ríspido e verdadeiro "A Obscena Senhora D", de Hilda Hilst.

"...Antes havia ilusões não havia? Morávamos nas ilusões. Ehud, e se eu costurasse máscaras de seda, ajustadas, elegantes, por exemplo, se eu estivesse serena sairia com a máscara da serenidade, leve, pequenas pinceladas, um meio sorriso, todos os que estivessem serenos usariam a mesma máscara, máscaras de ódio, de não disponibilidade, máscaras de luto, máscaras do não pacto, não seria preciso perguntar vai bem como vai etc., tudo estaria na cara..."

domingo, 3 de janeiro de 2010

Frustração


O avião preparava-se para pousar. Enquanto isso, lá bem do alto, arrodeava as nuvens que encobriam São Paulo. No assento da frente um garotinho afoito não parava quieto por um só instante. Grudado na janela observando a paisagem distante, de repente e com um espanhol encantador, ele demonstrou sua frustração, em bom som, ao avistar a cinza cidade:

― Mamãe, o Brasil não é tão bonito como nos sites.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Grande Encontro

E se Edward Mãos de Tesoura encontrasse com Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet? Talvez fosse assim:



vi aqui.

(clique na imagem para ampliá-la)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Onde vivem os monstros?

Minha nova paixão-fofura-literária-infantil se chama "Where The Wild Things Are", escrita e ilustrada pelo brilhante Maurice Sendak. A obra é antiga, de 1963, e bastante popular e premiada nos Estados Unidos. Sucinto de tudo e ousado, o livro vai "estrear" no cinema em 1º de janeiro de 2010, com adaptação assinada por Spike Jonze, o diretor de, entre outros, "Quero Ser John Malkovich". Antes disso porém, a publicação chegará (ou já chegou há pouco), pela primeira vez ao Brasil, com o nome de "Onde Vivem os Monstros", assim como o longa.

E a história é a prova de que, às vezes, não precisamos lá de muitas firulas para nos encantarmos por um personagem. No caso ele é Max, um garotinho travesso e com olhar malvado, que, ao ir para a cama sem jantar, começa a se imaginar e viver num mundo inóspito e repleto de "criaturas selvagens".

"The night Max wore his wolf suit and made mischief of one kind
and another
his mother called him 'WILD THING!'
and Max said 'I'LL EAT YOU UP'
so he was sent to bed without
eating anything.
That very night in Max's room a forest grew..."

Abaixo, um gostinho do que será o filme:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Num dia ensolarado


"...Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar..."

sábado, 17 de outubro de 2009

Mary and Max

Acordei nessa manhã chuvosa de São Paulo e zanzando num site aqui, outro acolá, achei um presente australiano cinza e colorido, o trailer da animação "Mary and Max", de Adam Elliot. Delicado e charmoso todo.

Para tingir esse dia com um sorriso, assista:

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mentiram para mim

...mas hoje o sol não apareceu por aqui, seu moço. nem as pedras do caminho. foram todos juntos de mãos dadas, o sol amarelinho e as rochas avermelhadas.

a imagem eu peguei daqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Para o sol

E foi assim, a moça abriu o e-mail na noite fria e lá estava a surpresa da amiga que, por algum tempo, preferiu virar tatu-bola para se proteger de alguns perigos da grande travessia. Ela só queria se tornar invulnerável aos dentes dos cães, igualzinho mesmo ao tatu. Mas descobriu que os girassóis existem.

Quase uma oração

"Um dia a gente acorda e percebe que mudou, depois de levar muita porrada e ter os ossos moídos junto aos sonhos.
Um dia a gente acorda e percebe que nem toda mudança precisa ser amarga,
embora o que nos mova quase sempre seja a dor, esta parceira do imprevisto.
Um dia a gente acorda e descobre do lado do avesso um espaço zen, uma espécie de paz interior que nos adula e acaricia,
como se a mãe voltasse a nos pegar no colo.
Neste dia, inexplicavelmente,
decidimos que o melhor a fazer
numa manhã é plantar um girassol
só para ver, dali a um tempo,
sem angústia, dilema ou rejeição,
que a vida dança a dança dos dervixes...
e que a nossa entrega à vida
é um ritual sem hoje nem amanhã.
A felicidade pode ser o ato de movimentar -se
como os girassóis, para lá e para cá,
só pra ver onde começa e onde termina o dia...
sem pressa.
Os acontecimentos não nos pertencem."

de Célia Musilli

domingo, 6 de setembro de 2009

Folheando "Alice"


Alice, onde estás?

Curiosa criança, remota Alice, empresta-me teu sonho:
Eu desprezaria os contadores de histórias de hoje,
Seguiria contigo o riso e o fulgor:
Estou fatigado, esta noite, de santos e pecadores.
Somos amigos, desde que Lewis e o velho Tenniel
Encerraram tua imortalidade em vermelho e dourado.
Vem! Tua ingenuidade é uma fonte perene.
Deixa-me ser jovem de novo antes de ser velho.
És um espelho de juventude: esta noite escolho
Perder-me profundamente em teus labirintos mágicos,
Em que a Rainha Vermelha vocifera em esplêndidas nuances
E o Coelho Branco segue apressado seu caminho.
Vamos mais uma vez nos aventurar de mãos dadas:
Faze-me de novo acreditar — no País das Maravilhas!

Vincent Starrett