segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Grande Encontro

E se Edward Mãos de Tesoura encontrasse com Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet? Talvez fosse assim:



vi aqui.

(clique na imagem para ampliá-la)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Onde vivem os monstros?

Minha nova paixão-fofura-literária-infantil se chama "Where The Wild Things Are", escrita e ilustrada pelo brilhante Maurice Sendak. A obra é antiga, de 1963, e bastante popular e premiada nos Estados Unidos. Sucinto de tudo e ousado, o livro vai "estrear" no cinema em 1º de janeiro de 2010, com adaptação assinada por Spike Jonze, o diretor de, entre outros, "Quero Ser John Malkovich". Antes disso porém, a publicação chegará (ou já chegou há pouco), pela primeira vez ao Brasil, com o nome de "Onde Vivem os Monstros", assim como o longa.

E a história é a prova de que, às vezes, não precisamos lá de muitas firulas para nos encantarmos por um personagem. No caso ele é Max, um garotinho travesso e com olhar malvado, que, ao ir para a cama sem jantar, começa a se imaginar e viver num mundo inóspito e repleto de "criaturas selvagens".

"The night Max wore his wolf suit and made mischief of one kind
and another
his mother called him 'WILD THING!'
and Max said 'I'LL EAT YOU UP'
so he was sent to bed without
eating anything.
That very night in Max's room a forest grew..."

Abaixo, um gostinho do que será o filme:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Num dia ensolarado


"...Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar..."

sábado, 17 de outubro de 2009

Mary and Max

Acordei nessa manhã chuvosa de São Paulo e zanzando num site aqui, outro acolá achei um presente australiano cinza e colorido, o trailer da animação "Mary and Max", de Adam Elliot. Delicado e charmoso todo.

Para tingir esse dia com um sorriso, assista:

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mentiram para mim

...mas hoje o sol não apareceu por aqui, seu moço. nem as pedras do caminho. foram todos juntos de mãos dadas, o sol amarelinho e as rochas avermelhadas.

a imagem eu peguei daqui.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fofura

Clique na tirinha para ampliá-la

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Para o sol

E foi assim, a moça abriu o e-mail na noite fria e lá estava a surpresa da amiga que, por algum tempo, preferiu virar tatu-bola para se proteger de alguns perigos da grande travessia. Ela só queria se tornar invulnerável aos dentes dos cães, igualzinho mesmo ao tatu. Mas descobriu que os girassóis existem.

Quase uma oração

"Um dia a gente acorda e percebe que mudou, depois de levar muita porrada e ter os ossos moídos junto aos sonhos.
Um dia a gente acorda e percebe que nem toda mudança precisa ser amarga,
embora o que nos mova quase sempre seja a dor, esta parceira do imprevisto.
Um dia a gente acorda e descobre do lado do avesso um espaço zen, uma espécie de paz interior que nos adula e acaricia,
como se a mãe voltasse a nos pegar no colo.
Neste dia, inexplicavelmente,
decidimos que o melhor a fazer
numa manhã é plantar um girassol
só para ver, dali a um tempo,
sem angústia, dilema ou rejeição,
que a vida dança a dança dos dervixes...
e que a nossa entrega à vida
é um ritual sem hoje nem amanhã.
A felicidade pode ser o ato de movimentar -se
como os girassóis, para lá e para cá,
só pra ver onde começa e onde termina o dia...
sem pressa.
Os acontecimentos não nos pertencem."

de Célia Musilli

domingo, 6 de setembro de 2009

Folheando "Alice"


Alice, onde estás?

Curiosa criança, remota Alice, empresta-me teu sonho:
Eu desprezaria os contadores de histórias de hoje,
Seguiria contigo o riso e o fulgor:
Estou fatigado, esta noite, de santos e pecadores.
Somos amigos, desde que Lewis e o velho Tenniel
Encerraram tua imortalidade em vermelho e dourado.
Vem! Tua ingenuidade é uma fonte perene.
Deixa-me ser jovem de novo antes de ser velho.
És um espelho de juventude: esta noite escolho
Perder-me profundamente em teus labirintos mágicos,
Em que a Rainha Vermelha vocifera em esplêndidas nuances
E o Coelho Branco segue apressado seu caminho.
Vamos mais uma vez nos aventurar de mãos dadas:
Faze-me de novo acreditar — no País das Maravilhas!

Vincent Starrett

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Zé Tristonho


E foi o homem querer ser livre.
Apagou as luzes, fechou a porta do quarto.
Quando acordou, sentiu-se leve.
Mas aquela coisa permanecia, nalgum lugarzinho.
Diziam que era tudo da cabeça. Ele, esperto, nunca acreditou.
Não queria mais frustrações, então, decidiu abdicar dos planos.
Ouviu os ensinamentos das manhãs de sábado e aceitou a impermanência.
Dançou de olhos fechados numa festa animada.
Foi ao cinema sozinho ver um filme de terror.
Porém, o medo, seu grande companheiro da vida toda, continuava lá.
Até que chorou pois decidiu abandonar esse velho amigo estranho.
Criou coragem, pediu dez receitas para o doutor e prometeu ser feliz.


Gravura do Cadjoo. Clique nela e veja mais trabalhos dele.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Apenas o Fim?


De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...

De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.

De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

"Resíduo", de Carlos Drummond de Andrade