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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bonequinha de Luxo

Em um dia como esse, eu só queria ser igual a Holly e ter um lugarzinho especial no mundo em que me sentisse plenamente feliz e amparada. Sem ninguém perceber minha ausência, passaria algumas horas lá e, depois, renovada, voltaria à vida real. Seria a minha Tiffany.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sábias palavras

"Sempre em movimento o futuro está"

Do mestre Yoda em "Star Wars - O Retorno de Jedi"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Onde vivem os monstros?

Minha nova paixão-fofura-literária-infantil se chama "Where The Wild Things Are", escrita e ilustrada pelo brilhante Maurice Sendak. A obra é antiga, de 1963, e bastante popular e premiada nos Estados Unidos. Sucinto de tudo e ousado, o livro vai "estrear" no cinema em 1º de janeiro de 2010, com adaptação assinada por Spike Jonze, o diretor de, entre outros, "Quero Ser John Malkovich". Antes disso porém, a publicação chegará (ou já chegou há pouco), pela primeira vez ao Brasil, com o nome de "Onde Vivem os Monstros", assim como o longa.

E a história é a prova de que, às vezes, não precisamos lá de muitas firulas para nos encantarmos por um personagem. No caso ele é Max, um garotinho travesso e com olhar malvado, que, ao ir para a cama sem jantar, começa a se imaginar e viver num mundo inóspito e repleto de "criaturas selvagens".

"The night Max wore his wolf suit and made mischief of one kind
and another
his mother called him 'WILD THING!'
and Max said 'I'LL EAT YOU UP'
so he was sent to bed without
eating anything.
That very night in Max's room a forest grew..."

Abaixo, um gostinho do que será o filme:

sábado, 17 de outubro de 2009

Mary and Max

Acordei nessa manhã chuvosa de São Paulo e zanzando num site aqui, outro acolá, achei um presente australiano cinza e colorido, o trailer da animação "Mary and Max", de Adam Elliot. Delicado e charmoso todo.

Para tingir esse dia com um sorriso, assista:

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Apenas o Fim?


De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...

De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.

De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

"Resíduo", de Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Notícias de uma Guerra Particular

"A memória nos leva a lugares onde precisamos ir"

A técnica da animação "Valsa com Bashir" é a rotoscopia. O que o diretor Ari Folman passa sobre o massacre nos campos de Sabra e Chatila, no Líbano, é uma mescla de subjetividade com lembranças alheias. A sensação que ficamos após a cena final é a de tristeza.

E o pensamento que estava lá nas bandas de Beirute só voltou para a avenida Paulista quando, no ponto de ônibus, encontrou um rosto conhecido e sorridente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Lutador

"The only place I get hurt is out there. The world don't give a shit about me"


Paradoxalmente indigesto, impressionante e belo. Mickey Rourke irreconhecível e perfeito.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O mundo secreto de Caroline


— Não, é CORALINE. Meu nome é Coraline Jones e, não, Caroline!
— Desculpe, menininha, me embaralhei com as letras.

Estava curiosa para ver a adaptação de "Coraline" (Neil Gaiman) para o cinema. E, mais uma vez, o trabalho do diretor Henry Selick ("O Estranho Mundo de Jack") emocionou e, por alguns momentos, me fez voltar à ingenuidade da infância. O colorido contraposto pelo ar nebuloso de algumas cenas deu uma pitada a mais de beleza e vida à história de Gaiman.

A Coraline do filme é a mesma do livro, com alguns acréscimos de impaciência, rebeldia e menos gotas de doçura. Porém, continua encantadora e curiosa. Mas confesso que senti falta de um gato mais blasé e rabugento.

O pai de Coraline estava em casa. Tanto seu pai quanto sua mãe trabalhavam fazendo coisas no computador, ou seja, ficavam bastante tempo em casa. Cada um tinha seu próprio estúdio.
— Olá, Coraline — saudou ele sem se virar quando ela entrou.
— Mmm — murmurou Coraline. — Está chovendo.
— É — disse o pai. — Está caindo um pé d´água.
— Não — disse Coraline. Está apenas chovendo. Posso sair?
— O que sua mãe acha?
— Ela disse: você não vai sair com um tempo desses, Coraline Jones.
— Então, não.
— Mas quero continuar minha exploração.

"Coraline e o Mundo Secreto" estreia nesta sexta-feira (13).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?


Um dos fortes concorrentes ao Oscar 2009, Slumdog Millionaire (ou em português "Quem Quer Ser um Milionário?") é um filme simples, produzido sem muita grana e com atores desconhecidos do grande público. Porém, o diretor inglês Danny Boyle ("Trainspotting") soube fazer dessa simplicidade o encanto do longa, sem cair em pieguices.

O drama é focado em Jamal Malik (Dev Patel), um garoto pobre indiano que, junto de seu irmão Salim, vive pelas ruas de Mumbai passando por todas as dificuldades que duas crianças "sozinhas no mundo" poderiam passar.

Jamal, mesmo sem saber, é cômico. Também é ingênuo, forte, de caráter incorruptível e é teimosamente defensor das coisas em que acredita, mas talvez disso ele saiba muito bem. E, talvez por isso, tenha chegado ao ápice: o famoso programa de televisão "Quem Quer Ser um Milionário?."

Com delicadeza, a história, baseada no livro "Sua Resposta Vale um Bilhão", de Vikas Swarup, se passa em flashes entre Mumbai e algumas outras cidades indianas, intercalando o passado e presente da vida de Jamal, fazendo disso, também, um breve suspense. E tudo acompanhado pela (linda) trilha sonora de A.R. Rahman. Muito mais legal (e real) do que a novela de Glória Perez.

Como o filme tem estreia prevista no Brasil somente para 6 de março, fica aqui o trailer:

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

"Sua vida é definida pelas oportunidades, até mesmo aquelas que você perde"

Na curiosa vida de Benjamin Button o tempo do relógio corria ao contrário. Avançava de trás para frente, como se fosse rebobinada. Quando enrugado brincava de bonecos, afinal, nascera em um corpo velho e, com o passar dos anos, rejuvenescia. Tinha uma vida do avesso. Benjamin era inteligente, carinhoso e lúcido como poucos.

Boa parte de sua vida invertida fora marcada por perdas e, logo, as perdas viraram mortes e Benjamin partiu sozinho para a grande travessia. Pelo caminho, conheceu muitos lugares e pessoas que o marcaram também. Gostava de ouvir a história que o capitão Mike contava sobre os beija-flores e o infinito. Voltou para New Orleans, reencontrou seu grande amor, viveu indo e vindo.

De tanto retroceder sua vida chegou ao fim. E Benjamin, no corpo de um bebê, porém com as peculiaridades de um idoso, morreu. Virou eco.

O filme:
Roteirizado (livremente) por Eric Roth, a partir do conto de F. Scott Fitzgerald, "O Curioso Caso de Benjamin Button", de David Fincher ("Clube da Luta"), é uma linda fábula sobre um homem que nasce com as características de um homem velho e morre jovem, tal qual um bebê. Com Brad Pitt no papel de Benjamin e Cate Blanchett vivendo o grande amor do personagem principal, o filme, além dos efeitos visuais, da maquiagem e das interpretações, é também uma densa reflexão sobre duas coisas que, na verdade, caminham ao mesmo passo: a vida e a morte.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Coraline


Confesso que me tornei fã de Neil Gaiman há pouco tempo. Foi logo depois de ler "Os Lobos Dentro das Paredes" e a versão portuguesa de "O Dia em que Troquei o meu Pai por Dois Peixinhos Dourados" (ainda inédito no Brasil) . Dei mais um passo em direção à fantasia do escritor inglês e aos traços do ilustrador Dave McKean até chegar em "Coraline."

A cada página me sinto como se estivesse lá, com a entediada garotinha que pegou a fria chave e abriu a porta.

O dia estava ensolarado e frio, exatamente como aquele que Coraline deixara.
Um barulho sutil fez-se ouvir atrás dela.
Coraline virou-se. Em pé, sobre o muro próximo a ela, achava-se um gato grande e preto, idêntico ao gato grande e preto que vira no terreno de casa.
— Boa tarde — disse o gato.
Sua voz soava como a voz de dentro da cabeça de Coraline, a voz com a qual ela pensava as palavras; mas essa era uma voz de homem, não de menina.
— Olá — disse Coraline. — Eu vi um gato como você no jardim lá de casa. Você deve ser o outro gato.
O gato balançou a cabeça.
— Não — disse. — Não sou o outro coisa nenhuma. Sou eu. — Inclinou a cabeça para o lado; os olhos verdes brilhavam.
— Vocês, pessoas, se esparramam por toda parte. Nós, gatos, nos mantemos íntegros, se é que me entende.

Enquanto leio o final da história, espero a estreia de "Coraline" no cinema e, mais uma vez, confesso: estou curiosa para ver como ficou o novo trabalho de Henry Selick ("O Estranho Mundo de Jack").

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Feios, sujos e malvados


Ontem, enquanto assistia ao capítulo natalino de "My Name is Earl", me senti como se estivesse revendo a qualquer cena de "Feios, Sujos e Malvados", um dos clássicos de Ettore Scola. Não sei se pela maldade quase ingênua de Joy (Jaime Pressly) e suas vizinhas ou se pela burrice cômica de Randy (Ethan Suplee). Talvez tenha sido a sujeira das ruas do pobre bairro, que, claro, com sua devida distância, me levaram aos barracos do filme italiano. Ou seria, apenas, pela esculhambação social? Não sei ao certo o que me fez lembrar a obra-prima de Scola, mas torço para que o Earl de Jason Lee demore para se livrar de sua lista cármica.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O Banheiro do Papa


O conceituado diretor de fotografia César Charlone, responsável por filmes como "Ensaio Sobre a Cegueira" e "Cidade de Deus", ambos de Fernando Meirelles, fez sua estréia na direção de "O Banheiro do Papa", em parceria com Enrique Fernández. O roteiro, também escrito pela dupla, é inspirado na passagem do papa João Paulo ll pela cidade uruguaia de Melo, em 1988.

O filme, porém, se foca em Beto (César Troncoso), sua compreensiva mulher Carmen (Virginia Méndez) e a filha Silvia (Virginia Ruiz). Ele é um contrabandista que, como tantos, atravessa diariamente a fronteira com o Brasil em cima de sua velha bicicleta para comprar e revender mercadorias. Quando são informados da passagem da Santidade pela pobre Melo, os moradores começam a hipotecar suas casas e pedir empréstimos, acreditando que lucrarão muito mais comercializando sanduíches e imagens de santos aos (esperados) milhares de peregrinos brasileiros que acompanharão o sumo pontífice.

Beto, um sonhador nato, quer fazer diferente dos vizinhos e tem a irreverente idéia de construir um banheiro na frente de sua casa para que os romeiros utilizem em troca de pagamento. O protagonista tem atitudes que podem dar pistas de um caratér duvidoso, entretanto, cativa o espectador com seus sonhos inesperados, demonstrando nada mais do que a perseverança de um homem em busca de dignidade.

Apesar do fundo triste desse desenrolar, o filme traz belas cenas, além de fazer crítica intrínseca à polícia aduaneira corrupta em meio a situações cômicas.

Assista ao trailer:



(Resenha feita para a revista SET)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Lemon Tree


Salma Zidane (Hiam Abbass) é uma mulher forte, decidida e que esconde sua beleza por trás de uma vida solitária e do trabalho árduo. Ela é palestina, viúva e acaba de comprar uma briga com seu mais novo vizinho: o ministro da Defesa de Israel, vivido por Doron Tavory.

Para sobreviver, Salma cultiva os limoeiros que seu pai deixou de herança, mas a Força de Segurança Israelense acredita que as árvores podem colocar em risco a vida do político.

Salma leva seu problema à Suprema Corte de Israel e luta até o final para manter cada limoeiro em pé. Sua força, entretanto, faz Mira Navon (Rona Lipaz-Michael), esposa do ministro, criar coragem para mudar os rumos de sua vida.

Eran Riklis ("A Noiva Síria") traz em "Lemon Tree" algo além das históricas guerras entre israelenses e palestinos. Com candura, uma bela trilha sonora e leves toques de humor, ele retrata a solidão de cada um, independentemente de religião e política.

O filme, que estreou em agosto de 2008, ainda está em cartaz no Reserva Cultural.

Assista ao trailer:




(Resenha feita para a revista SET)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As Pontes de Madison


Hoje, assim sem querer (o que é mais legal), liguei a televisão e estava passando "As Pontes de Madison". Me dei conta de como é bom rever um filme. Fiquei com a palavra candura na cabeça.

sábado, 29 de novembro de 2008

Bella


"Minha avó sempre dizia: se quiser que Deus dê risada, conte seus planos a Ele." A frase é de José, - personagem interpretado pelo galã, ator e cantor Eduardo Verástegui - na primeira cena de "Bella", quando começa a narrar sua história com ceticismo sobre a vida e seu desenrolar. José é chef de um restaurante tipicamente mexicano em Nova York. Antes, entretanto, foi craque de um grande time de futebol, mas teve a carreira interrompida no ápice do sucesso. Já Nina (Tammy Blanchard) tem a vida toda chacoalhada ao saber, quase simultaneamente, que está grávida, sozinha e acaba de ser demitida do emprego de garçonete.

Pronto, um prato cheio para o drama de duas pessoas que compartilham, durante um passeio pela cidade e seus arredores, anseios, frustrações, culpas e alguns clichês. Assim como um destino em comum, que vem para confirmar a impermanência de viver.

Com diálogos ora em inglês, ora em espanhol, "Bella" é o primeiro longa-metragem dirigido pelo mexicano Alejandro G. Monteverde, que estreou de cara vencendo o prêmio de melhor filme do júri popular do Festival de Toronto de 2006. Com traços leves de humor, a trama é narrada em fragmentos, onde lembranças do passado se confundem com fatos do presente, numa sucessão de belezas delicadas e densa dramaticidade.

Assista ao trailer aqui:



(Resenha feita para a revista SET)